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Anvisa faz alerta contra anéis inteligentes e reforça que dispositivos não servem para diagnosticar doenças

Por Karoline Dantas

28/08/2026

A crescente popularidade dos dispositivos vestíveis levou milhares de consumidores a adotarem relógios, aplicativos de celular e, mais recentemente, anéis inteligentes para acompanhar de perto indicadores de saúde. O monitoramento constante do sono, da frequência cardíaca e do nível de oxigenação no sangue passou a fazer parte da rotina de quem busca uma vida mais saudável. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária emitiu um alerta importante sobre o uso dessas ferramentas tecnológicas. Os anéis inteligentes não devem ser utilizados para diagnosticar doenças nem para definir tratamentos médicos.

De acordo com o órgão regulador, os aparelhos disponíveis no mercado atualmente são desenvolvidos prioritariamente para o acompanhamento de bem-estar e apoio a atividades esportivas, sem fins médicos. A Anvisa destacou que não há, até o momento, nenhum relógio inteligente ou anel vestível autorizado no Brasil para a medição não invasiva de glicose no sangue ou para a medição clínica de oximetria. Isso significa que a precisão e a eficácia técnica dos dispositivos em medir esses parâmetros fisiológicos de forma não invasiva não foram comprovadas pelos fabricantes junto à agência.

Um dos principais pontos reforçados pelo alerta é que os dados fornecidos por esses acessórios não são conclusivos. Um alerta enviado por um anel inteligente não confirma necessariamente a presença de uma enfermidade, da mesma maneira que a ausência de avisos ou a exibição de parâmetros normais não garante que a pessoa esteja completamente saudável. A avaliação e a confirmação de qualquer condição de saúde devem ser realizadas obrigatoriamente por um profissional de saúde qualificado.

Para que um equipamento de monitoramento possa ser utilizado no apoio a diagnósticos ou em medições clínicas, ele precisa passar por um rigoroso processo de regularização sanitária antes de ser comercializado. Esse controle abrange parâmetros sensíveis como aferição de pressão arterial, exames de eletrocardiograma, detecção de ritmo cardíaco irregular, oximetria e monitoramento de glicemia.

A agência reguladora ressaltou também o papel dos programas e softwares de saúde. A Anvisa possui competência para regular programas de finalidade médica que processam informações captadas por sensores de dispositivos eletrônicos comerciais. Contudo, no momento não existe nenhum software médico aprovado que dependa exclusivamente dos dados de anéis inteligentes. A medição só é considerada clinicamente confiável caso seja integrada a um software devidamente regularizado e dentro das condições autorizadas pela vigilância sanitária.

Os consumidores interessados em verificar a conformidade de produtos de saúde podem consultar a situação cadastral dos aparelhos e softwares diretamente no portal oficial da Anvisa. A orientação final da agência é que as métricas trazidas por anéis e relógios sirvam apenas como referência pessoal de bem-estar e jamais substituam consultas, exames laboratoriais e orientações de médicos capacitados.