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Opinião: A importância do 7 de julho e os impactos da data para mim e para o futuro

Por Guilherme Kalel

07/07/2026

No dia 7 de julho de 2026, celebrei uma marca que vai muito além dos números: completei 19 anos de carreira como jornalista e escritor. Mais do que contar o tempo, celebrar quase duas décadas nessa profissão me faz refletir sobre o significado real de resistir, produzir e, acima de tudo, transformar a comunicação a partir de uma perspectiva única. Para mim, exercer o jornalismo sendo uma pessoa com deficiência, e tendo como uma de minhas principais ferramentas o ato de escutar a profissão por tanto tempo, é uma vitória diária.

O jornalismo tradicional muitas vezes foi construído sob uma ótica padronizada de produtividade e de presença física, ignorando as nuances da acessibilidade e da inclusão. Escutar o jornalismo por 19 anos significa ter aguçado a percepção para além do óbvio. Significa entender que a comunicação se faz com empatia, com o olhar atento às minorias e com a capacidade de captar as nuances das histórias que a sociedade muitas vezes prefere não ver ou ouvir. Cada barreira arquitetônica, cada preconceito velado e cada falta de ferramentas adequadas de trabalho foram transformados em combustível para continuar escrevendo e relatando o mundo.

Os desafios superados ao longo dessa quase duas décadas não foram poucos. Desde a necessidade de provar a própria capacidade em dobro até a luta por espaços de trabalho que compreendessem e respeitassem as especificidades de uma pessoa com deficiência. No entanto, a escrita e a reportagem se tornaram pontes fundamentais para mostrar que a competência técnica e a sensibilidade jornalística independem de limitações físicas ou sensoriais. Cada texto publicado e cada história contada funcionaram como um manifesto silencioso, mas poderoso, de que a diversidade enriquece a notícia.

Olhar para trás e ver esses 19 anos consolidados traz também uma responsabilidade com o amanhã. A minha permanência e o meu crescimento na profissão servem como um farol para as próximas gerações de comunicadores com deficiência. É fundamental que os jovens que hoje sonham em ingressar nas redações ou no mercado literário olhem para trajetórias como a minha e saibam que estar nessa profissão que tanto amo, é um lugar possível. A presença de profissionais com deficiência na grande mídia não é uma concessão ou um ato de caridade; é um direito e uma necessidade para que o jornalismo seja verdadeiramente democrático e representativo. Que venham os próximos anos, com ainda mais histórias para ouvir, escrever e transformar.

Guilherme Kalel é Jornalista e Escritor.
Publisher da Agência Orcon Press.
MTB: 89344 / SP.
guilherme@orconpress.com.br