Por Guilherme Kalel e Alana Nunes
01/07/2026
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou sua saída da presidência do PL Mulher, o núcleo feminino do Partido Liberal. A decisão ocorreu após uma reunião de aproximadamente duas horas com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. O afastamento se deu em meio ao agravamento de uma crise interna envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante o encontro, Valdemar Costa Neto tentou convencer Michelle a permanecer no comando do núcleo para manter sua atuação política destacada. No entanto, a ex-primeira-dama reafirmou sua intenção de se afastar das atividades partidárias neste momento, justificando a escolha por desgaste pessoal e pela prioridade que deseja dar a questões familiares.
O conflito interno tornou-se público quando Michelle divulgou um vídeo em suas redes sociais criticando as articulações políticas do Partido Liberal no estado do Ceará. Na gravação, embora sem dar detalhes profundos sobre as negociações de alianças eleitorais na região, ela afirmou ter sido humilhada, desrespeitada e maltratada por Flávio Bolsonaro.
A exposição pública dessas divergências gerou forte preocupação na cúpula do PL. Dirigentes partidários temem os reflexos do desentendimento na preparação para as eleições de 2026, uma vez que Michelle é apontada como uma das principais lideranças do partido para atrair o eleitorado conservador, principalmente mulheres e evangélicos. Ela vinha sendo cotada, inclusive, como um nome forte para disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.
O presidente da sigla passou a atuar diretamente como mediador para tentar conter os danos e reduzir o clima de tensão entre Michelle e Flávio. A avaliação interna da executiva nacional é de que a persistência do atrito pode arranhar a imagem da legenda e atrapalhar a estratégia eleitoral desenhada em torno do grupo político de Jair Bolsonaro.
Apesar de entregar o comando do PL Mulher, Michelle Bolsonaro não pediu a desfiliação do partido e não descartou de forma definitiva concorrer a um cargo eletivo no próximo ano. Interlocutores próximos relatam que ela planeja apenas diminuir o ritmo de sua participação na rotina partidária enquanto o impasse de ordem familiar não for resolvido.
Até o momento, nem Michelle, nem Flávio Bolsonaro voltaram a se manifestar publicamente sobre o caso. A direção nacional do PL também optou por não dar detalhes sobre o teor da conversa, informando apenas que seguirá focada em manter a unidade interna com vistas às campanhas eleitorais que se aproximam.
