24/08/2026
O mercado de benefícios corporativos, tradicionalmente dominado por poucas empresas e focado em serviços como vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), passa por uma transformação expressiva no Brasil. Em um intervalo de poucos dias, o BTG Pactual e o C6 Bank anunciaram a entrada nesse setor, que movimenta cerca de R$ 150 bilhões ao ano. O movimento sinaliza o aumento da competição em um ecossistema que se tornou mais acessível após mudanças nas regras regulatórias.
A abertura desse mercado foi impulsionada por novas diretrizes do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e ajustes regulatórios que eliminaram antigas barreiras de entrada. Anteriormente, as emissoras precisavam manter redes credenciadas próprias de estabelecimentos comerciais, o que concentrava o setor nas mãos de poucas gigantes. Com a obrigatoriedade da interoperabilidade e a liberação para que qualquer credenciadora processe as transações mediante taxa, a exigência de redes exclusivas caiu, permitindo que bancos e instituições financeiras passem a atuar diretamente como emissores de benefícios. Além disso, o cenário passou a contar com o teto de taxa cobrada dos estabelecimentos comerciais, visando aumentar a concorrência e reduzir custos na ponta.
O BTG Pactual apresentou o Cartão BTG Benefícios, desenvolvido sob a bandeira Mastercard. O produto une as funções de alimentação e refeição em um único cartão e já está com cadastro aberto por meio de lista de espera. A proposta do banco foca na simplificação da gestão para os departamentos de Recursos Humanos, integrando a administração de recargas, emissão de vias físicas e virtuais e acompanhamento de dados em tempo real diretamente aos sistemas de folha de pagamento. Para os funcionários, a solução oferece navegação via aplicativo do próprio banco, compras no comércio físico e eletrônico, uso de carteiras digitais e a possibilidade de criar vias adicionais com saldo compartilhado para dependentes.
Por sua vez, o C6 Bank revelou que lançará sua operação própria de vales no segundo semestre do ano. Conforme detalhado pelo CEO e fundador do banco digital, Marcelo Kalim, a instituição ingressará nesse segmento sem a necessidade de parceiros intermediários, aproveitando a queda da barreira de credenciamento próprio. A estratégia do C6 busca integrar a oferta de benefícios ao ecossistema corporativo já existente da instituição, agregando o produto às contas PJ, linhas de crédito, serviços de pagamento e soluções de investimentos que o banco já oferece para empresas. O anúncio coincide com um momento de forte desempenho financeiro da instituição, que registrou lucro líquido expressivo no primeiro semestre.
A chegada de gigantes do setor financeiro e bancário digital marca o fim da era de isolamento do mercado de benefícios. Ao atrelar cartões de refeição e alimentação às suas plataformas bancárias e de gestão, tanto o BTG Pactual quanto o C6 Bank buscam aumentar o engajamento de empresas e trabalhadores, desafiando a hegemonia das operadoras tradicionais e acelerando a digitalização dos benefícios no país.