13/07/2026
Em nova fase das investigações sobre irregularidades na destinação de verbas públicas, a Polícia Federal identificou um esquema clandestino de desvios e controle paralelo de emendas parlamentares na Câmara dos Deputados. As descobertas resultaram em ordens rigorosas de bloqueio de bens emitidas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, alcançando lideranças políticas expressivas que operavam na distribuição dos recursos mesmo sem exercer mandato eletivo.
O principal alvo da ofensiva financeira foi o ex-deputado e atual presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto. O ministro determinou a indisponibilidade de até R$ 119 milhões em bens do dirigente, montante equivalente ao valor de 21 emendas sob suspeita que foram suspensas. De acordo com os relatórios da Polícia Federal, mensagens interceptadas demonstram que Valdemar atuava de forma direta como um vetor de definição e remanejamento de verbas em setores como o turismo, negociando mudanças em planilhas por meio de assessores e servidores da Câmara. A defesa do dirigente partidário nega enfaticamente qualquer irregularidade, afirmando que a sua atuação se restringia ao campo estritamente político e partidário.
Paralelamente, as investigações apontaram que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, cassado e preso em desdobramentos de escândalos anteriores, também mantinha influência ativa sobre o direcionamento do orçamento público. Sob o monitoramento da Polícia Federal, constatou-se que Cunha interferia no destino de emendas para municípios do estado de Minas Gerais, focando na articulação de bases em prol de sua pretensão de disputar as eleições gerais programadas para outubro. Diante dos indícios, Flávio Dino ordenou o bloqueio de R$ 6 milhões das contas de Cunha.
A apuração sobre o caso de Eduardo Cunha revelou ainda ramificações nas estruturas superiores do parlamento. Segundo as análises técnicas da Polícia Federal, o ex-parlamentar contava com um fluxo de influência e manipulação de planilhas de verbas extras que possuía o aval de Hugo Motta, atual presidente da Câmara dos Deputados. Mensagens apreendidas no celular de uma ex-assessora envolvida no circuito de distribuição orçamentária indicam contatos diretos e apoio da cúpula da Casa para viabilizar as indicações informais. A defesa de Eduardo Cunha argumentou que o bloqueio patrimonial é uma medida prematura e que ele desconhece qualquer ilegalidade nos procedimentos administrativos de tramitação das verbas.
