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Inovação: SUS realiza primeira telecirurgia oncológica de sua historia

Por Lívia Morelli

01/07/2026

O Sistema Único de Saúde, o SUS, alcançou um marco histórico na medicina brasileira ao realizar a sua primeira telecirurgia robótica oncológica de longa distância. O procedimento uniu equipes médicas separadas por quase 2,7 mil quilômetros de distância, conectando a cidade de Porto Velho, em Rondônia, ao município de Barretos, no estado de São Paulo.

A cirurgia de alta complexidade foi viabilizada por meio de uma cooperação tecnológica de ponta e faz parte de uma estratégia para ampliar o acesso a tratamentos modernos de combate ao câncer em regiões historicamente com menor oferta de especialistas. A tecnologia robótica traz benefícios diretos ao paciente, como a redução do risco de complicações e uma recuperação pós-operatória muito mais acelerada.

Para assegurar o sucesso e a total estabilidade do procedimento, o Ministério da Saúde investiu na modernização da infraestrutura de comunicação entre as duas localidades. Em maio, foi assinado um Termo de Execução Descentralizada, de cerca de R$ 2 milhões com vigência de 30 meses, para a criação da Rede de Conectividade Saúde Brasil de Alta Performance e Segurança. Essa parceria envolve o Hospital de Amor, referência nacional em oncologia sediado em Barretos, e a sua unidade parceira localizada na capital rondoniense.

A operação exigiu um sistema de rede robusto para eliminar qualquer possibilidade de atraso na transmissão de dados ou falhas de sinal, fatores cruciais em uma intervenção cirúrgica em tempo real. A estrutura contou com duas conexões independentes de fibra óptica, redundância baseada na tecnologia de internet móvel 5G e uma rede privada virtual dedicada. Antes do procedimento real com o paciente, as equipes de médicos e técnicos passaram por intensas rodadas de simulação e treinamentos específicos para lidar com protocolos de emergência e cenários de contingência.

A seleção do paciente elegível para estrear essa nova modalidade seguiu rigorosamente os mesmos critérios técnicos e clínicos recomendados para as cirurgias robóticas que ocorrem de forma presencial.
Com essa inovação, o governo federal sinaliza um avanço significativo no processo de transformação digital da saúde pública no Brasil. Além de qualificar o tratamento cirúrgico oncológico, a iniciativa abre portas para a expansão da telessaúde, integração de prontuários eletrônicos e descentralização de tecnologias médicas avançadas para atender a população brasileira em áreas distantes dos grandes centros urbanos.