30/06/2026
O mercado financeiro brasileiro manteve a projeção da inflação para o ano de 2026 em 5,33%, interrompendo uma sequência de 15 semanas seguidas de alta nas estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA. A estabilização foi divulgada por meio do Relatório Focus do Banco Central, que reúne semanalmente as previsões de mais de uma centena de instituições financeiras e analistas econômicos.
Embora a pausa na trajetória de elevação traga um alívio momentâneo na tendência de piora, o patamar projetado ainda se encontra significativamente distante da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Desde 2025, o Brasil adotou o sistema de meta de inflação contínua, cujo centro é de 3% com um teto de tolerância de 1.5 ponto percentual, o que limita o teto máximo aceitável a 4,5%. Com a projeção em 5,33%, as expectativas do mercado apontam para um estouro desse teto regulatório em 2026.
Além dos números para 2026, as projeções para os anos seguintes mostram que os analistas continuam a observar com cautela o cenário de médio prazo. A estimativa intermediária para o IPCA de 2027 subiu de 4,10% para 4,15%. Já a estimativa para o ano de 2028 aumentou de 3,68% para 3,70%. Para 2029, a previsão permaneceu inalterada em 3,50% pela 42ª semana consecutiva.
Esse panorama de desancoragem das expectativas inflacionárias tem pressionado o comportamento dos juros. No mesmo levantamento, a projeção intermediária para a taxa básica de juros, a Selic, no fim de 2026 avançou de 13,75% para 14,00% ao ano, evidenciando que o mercado antecipa uma postura mais rígida por parte do Banco Central no controle dos preços. Para o final de 2027, o mercado seguiu apostando em uma taxa Selic estável em 12,00%.
No campo do crescimento do Produto Interno Bruto, o PIB, houve uma leve variação positiva nas perspectivas para o ano de 2026. A mediana para a expansão da atividade econômica brasileira oscilou de 1,98% para 1,99%.
Em relação ao câmbio, as instituições financeiras mantiveram a estabilidade nas projeções para a moeda americana. A estimativa intermediária para a cotação do dólar ao fim de 2026 permaneceu fixada em R$ 5,20, o mesmo valor observado nas semanas anteriores. Para o término de 2027, no entanto, a projeção para o dólar subiu de R$ 5,25 para R$ 5,27, enquanto a estimativa para 2028 ficou em R$ 5,30 e para 2029 continuou em R$ 5,40.
