Por Guilherme Kalel
05/07/2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que as decisões do governo federal sejam as grandes responsáveis pelos juros elevados no Brasil. Em entrevista, o ministro afirmou que, entre os envolvidos na dinâmica econômica, a Fazenda é quem possui menor culpa pelo patamar atual da taxa de juros e defendeu que o debate fiscal importa, mas não é a única resposta para o problema. Para Durigan, os juros altos representam o principal gargalo da economia, prejudicando o investimento privado e pressionando a dívida pública brasileira, que atinge 81,4% do PIB, um patamar considerado elevado para países emergentes. Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano, o que coloca o Brasil no topo do ranking mundial de juros reais.
Economistas divergem da visão do ministro e apontam que há uma falta de harmonia entre a política de gastos do governo e a definição dos juros pelo Banco Central. Na avaliação de analistas, enquanto o governo estimula a economia com despesas, o Banco Central tenta desacelerar a atividade para controlar a inflação, criando um descompasso que dificulta o controle inflacionário e mantém a taxa de juros pressionada. Durigan reconheceu a necessidade de harmonizar as estratégias de receitas e gastos públicos com a política monetária e assegurou que conter a inflação também é uma preocupação de sua pasta.
Como resposta ao cenário, o ministro prometeu a implementação de um forte ajuste fiscal nos próximos anos para alcançar as metas de superávit e reequilibrar as contas públicas. Os objetivos fixados preveem um resultado positivo de 0,5% do PIB em 2027, subindo gradualmente para 1% em 2028, 1,25% em 2029 e 1,5% do PIB em 2030. De acordo com o chefe da equipe econômica, o governo buscará atingir essas metas por meio da contenção de gastos, revisão de programas sociais, maior tributação sobre os mais ricos e o corte de benefícios fiscais. Ideias como a desindexação do salário mínimo de benefícios previdenciários e dos pisos de saúde e educação foram adiadas pelo ministro, que classificou este como um tema para o próximo governo.
Dario Durigan também defendeu a viabilidade e a sustentabilidade do arcabouço fiscal aprovado em 2023. Especialistas alertam para o risco de um travamento dos serviços públicos, uma vez que as regras limitam o crescimento dos gastos totais a 2,5% ao ano acima da inflação, enquanto as despesas obrigatórias crescem em ritmo acelerado, espremendo os investimentos livres. O ministro, no entanto, reforçou que o governo continuará enviando propostas ao Congresso Nacional para cortar gastos obrigatórios, repetindo as medidas adotadas no final de 2024, a fim de garantir que a regra fiscal permaneça de pé sem a necessidade de alterações estruturais.
