Por Lívia Morelli
08/07/2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta rigoroso direcionado à população brasileira a respeito dos riscos associados ao consumo de canetas emagrecedoras contrabandeadas, comumente trazidas de países vizinhos como o Paraguai. A manifestação da agência reguladora surgiu após a divulgação de análises laboratoriais independentes que identificaram a presença de princípios ativos, como a tirzepatida e a semaglutida, nesses produtos informais.
De acordo com o posicionamento oficial da Anvisa, a simples constatação da substância ativa em exames laboratoriais não é suficiente para atestar a segurança, eficácia ou a bioequivalência dessas medicações em relação às versões registradas e aprovadas para comércio no território nacional. A agência destacou que os laboratórios estrangeiros responsáveis pela fabricação dessas canetas não passaram pelas vistorias de Certificação de Boas Práticas de Fabricação, uma etapa fundamental exigida pela legislação brasileira para garantir o controle de qualidade do processo produtivo.
Além das incertezas fabris, as autoridades sanitárias apontam que as rotas de contrabando representam um perigo grave para a integridade dos medicamentos. Substâncias análogas ao GLP-1 exigem condições rígidas de armazenamento e refrigeração constante para manterem suas propriedades terapêuticas estáveis. No mercado clandestino, o transporte costuma ser feito de maneira precária, sem controle de temperatura e de forma fracionada para burlar a fiscalização rodoviária, o que pode anular o efeito do remédio ou gerar subprodutos tóxicos devido à degradação térmica.
Investigações recentes das forças de segurança apontam que estados como Rio de Janeiro e São Paulo concentram os principais mercados consumidores dessas cargas ilegais. O crescimento do comércio paralelo acendeu o sinal de alerta entre os profissionais de saúde, que reforçam que o uso dessas medicações sem orientação médica adequada e sem a devida retenção de receita eleva drasticamente o risco de reações adversas graves, problemas cardiovasculares e complicações metabólicas.
Diante do cenário, a Anvisa reforça que as únicas alternativas seguras são os medicamentos originais adquiridos em farmácias credenciadas, devidamente regulamentados no país. A autarquia orienta que os cidadãos desconfiem de ofertas com preços muito abaixo do mercado praticadas na internet ou por revendedores informais e que denunciem canais de venda suspeitos.
